Prosperidade e crescimento
Desejável seria que esta tendência de crescimento pudesse continuar no futuro, por forma a assegurar o pleno emprego, a estimular a inovação, a incentivar o investimento e a concorrência. Mas parece cada vez mais evidente que tal não irá acontecer. Pode até ser necessário, se não mesmo vantajoso, que tal não aconteça. Muitos dos problemas actuais, como o aquecimento global, o esgotamento dos recursos energéticos, o desequilíbrio ambiental, e até as diferenças entre ricos e pobres, só poderão agravar-se com o crescimento.
Sendo previsível que a população mundial continuará a crescer, é lícito perguntar como vai compatibilizar-se esse crescimento populacional com a estagnação da economia, com o “pico” da produção energética, ou mesmo com a regressão dessa produção? Que respostas haverá para cerca de 1/3 da população mundial, (que na China, ou na Índia, ou no Paquistão, aspira a atingir os níveis de conforto dos países mais desenvolvidos), caso não lhe seja possível aceder a eles?
A nossa civilização enfrenta um desafio, importante e decisivo, porque global: para não agravar os desequilíbrios do planeta, (o aquecimento global, a poluição ambiental, a gestão dos recursos cada vez mais escassos), estamos condenados a viver sem crescimento. Os próprios economistas, enquanto anunciam a retoma ali ao virar da esquina, começam a dar-se conta da cruel realidade, e já falam de “economia estável”. Embora pareça que ainda não encontraram a fórmula de a pôr em prática, nem ainda entenderam as leis que a governam.
O ser humano, como qualquer outro ser da criação, aspira à prosperidade, anseia por crescer e reproduzir-se, é o flourishing da vida. E na sociedade actual, o conceito de “prosperidade” está predominantemente ligado à posse de bens materiais. Para o cidadão comum é isso que traz felicidade. Está a chegar o momento de colocar a questão doutra maneira: é possível prosperar, sem acumulação de riqueza? Não só é necessário acreditar que sim, como também vai ser preciso pô-lo em prática.
Para sobreviver, a nossa civilização tem de encontrar formas de prosperar sem crescimento: uma prosperidade não centrada em conteúdos predominantemente materiais, em que se valorize mais o “ser” do que “ter”, num mundo com novos valores e uma nova espiritualidade.
Nem será um caminho fácil, nem pode ser deixado ao arbítrio de cada um. E exigirá dos governantes muita sabedoria, se o quisermos percorrer em democracia. Porque abrir esse caminho será um exercício no fio da navalha: entre a ameaça do colapso, e a violenta regressão a regimes e tempos de totalitarismo.
A sociedade de consumo, baseada no materialismo, tem que ceder lugar a uma sociedade mais altruísta, baseada na solidariedade humana. No fundo implica uma nova moral, dir-se-ia até uma nova religião. À semelhança do papel que teve o Cristianismo, no colapso inevitável do Império Romano, defendendo a igualdade, a irmandade, o fim da escravatura e da exploração humana.
As “marcas” do moderno mercado vão ter que devolver aos deuses e aos heróis do passado as simbologias, os valores arquetípicos e a força mitológica de que oportunamente se apropriaram. Como dizia Alan S. Drake, “no futuro, o consumidor tem de voltar a ceder lugar ao cidadão; juntamente com a responsabilidade e os deveres que o conceito implica.”
A mudança nas formas de comunicar, trazida pela Internet, poderá conter em si uma esperança nova. No campo da comunicação, é esta a terceira grande revolução da Humanidade, depois das descobertas da escrita e da imprensa. E se a “escrita” produziu a Bíblia e o Corão, e a “imprensa” nos trouxe Martinho Lutero e os ideais da Reforma, quem sabe se na Internet não andará a semente de uma nova religião. De uma nova forma de viver, na qual seja possível encontrar uma nova forma de prosperidade.


Estava procurando blog relacionados a ouro e prata aqui na Nova Zelandia e me deparei com o seu site. Achei interessante e resolvi deixar uma msg
Interessante o que voce escreveu sobre internet, espero assim como voce que a internet nao somente nos aproxime mais mas que ao mesmo tempo nos traga uma prosperidade que esta faltando no mundo atual.
Abracos