Turismo todo-o-terreno

Augusto Mateus defende região dedicada a uma só actividade económica
Augusto Mateus reflectiu sobre o futuro da região em Faro

O economista Augusto Mateus defendeu esta semana que, dentro de uma década e meia, o “grande desafio” para o Algarve será ter todo o seu território, do litoral à serra, envolvido numa estratégia sustentável ligada ao turismo.

A primeira das conferências sob o lema “Faro 2020”, realizada quinta-feira, 4, no auditório da Biblioteca Municipal de Faro, teve “casa cheia” para ouvir o reputado especialista falar sobre “Desenvolvimento Económico e Inovação Empresarial”.

A intenção da autarquia farense, que organiza esta iniciativa, passa por avaliar “diferentes cenários prospectivos para o desenvolvimento da cidade no contexto regional” e, neste primeiro debate, Faro passou mesmo ao lado da discussão.

Augusto Mateus fez uma dissertação abrangente, começando pelos recursos mundiais e pelo poder das economias emergentes (BRIC – Brasil, Rússia, Índia e China), passando pela posição de Portugal na União Europeia e acabando no modelo de desenvolvimento da região algarvia.

Em relação a este assunto, o especialista defende um “factor crucial” que não pode fugir: uma maior especialização económica.

“O Algarve tem todo um cacho de actividades em torno do turismo – indústrias, agricultura, construção – e deve ser esse o caminho a seguir”, disse, acrescentando: “Deve trabalhar para ter uma base territorial alargada dedicada ao turismo.”

Na opinião de Mateus, o “primeiro grande desafio para 2020” passa pelo turismo todo-o-terreno: uma “estratégia sustentável ligada ao turismo em todo o território, desde a falésia até à serra, passando pelo barrocal”.

Em conjunto, deve existir uma “batalha para diversificar o produto”, através da criação de uma “rede de cidades complementares”, com alternativas reais em termos de mobilidade.

Alternativas de mobilidade

“O Algarve deve ter pequenas cidades, ordenadas e diferenciadoras, ligadas entre si de forma rápida. É crucial que eu me possa mover na região sem dificuldades”, sustentou Augusto Mateus.

“A questão aqui não é haver mais faixas na Via do Infante… Têm de existir outras alternativas”, frisou.

“O redescobrir das cidades” passa por alguns factores: “Cultura, património, conhecimento e criatividade”, destacou o economista.

Mateus recordou que existem mais de 20 mil milhões de euros provenientes do Quadro de Referência Estratégica Nacional para gastar: “Com esse dinheiro pode fazer-se muita coisa, incluindo disparates.”

“O problema é arranjar ideias, projectos de qualidade, um caminho que faça sentido”, referiu, apontando três coisas que faltam ao País: “Espírito empresarial, espírito científico e espírito de solidariedade.”

Após os comentários do reitor da Universidade do Algarve, João Guerreiro, do empresário Parreira Afonso e dos representantes das duas forças políticas presentes, Falcão Marques (PS) e Vítor Ruivo (BE), a discussão abriu-se à plateia mas Faro continuou longe das conversas.

Até ao final do ano, a autarquia realiza mais duas conferências: “Que Políticas Sociais na Sociedade Portuguesa” e “A Frente Ribeirinha de Faro: Desafios e Caminhos de Soluções”.

About João Monge Ferreira

Desejo que cada uma das pessoas empreendedoras que estão dentro de empregos desalinhados com os seus talentos, conquistem a liberdade para abrirem seus próprios negócios.

Posted on 2007/10/09, in A Vida e a Guerra, A Voz do Guerreiro, Economia and tagged . Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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