Category Archives: Acções Emergentes

Os melhores fundos portugueses

 

 

Uma das várias frases que se repetem em qualquer prospecto de um fundo de investimento diz que as “rendibilidades passadas não são garantia de rendibilidades futuras.” Contudo, muitos investidores continuam a esquecer-se facilmente deste princípio. Só assim se percebe porque muitos portugueses continuam a dedicar tanta atenção ao ‘ranking’ dos fundos mais rentáveis durante o último ano. Muitos chegam mesmo a remodelar o portefólio por inteiro nos primeiros dias do ano, substituindo os activos que têm em carteira pelos fundos que melhor desempenho tiveram nos últimos 12 meses, na esperança de virem a registar um ano tão bom ou melhor que o anterior. Mas a verdade é que isso está longe de ser assim. Basta ver o que sucedeu em 2009 e 2010: dos 10 fundos nacionais com o melhor desempenho em 2009, apenas três voltaram a figurar no “top 10” de 2010.

Para evitar que este ano a sua carteira volte a cair no mesmo erro, o Diário Económico, com a ajuda da Bloomberg, realizou um ‘ranking’ dos melhores fundos portugueses, tendo em conta cinco variáveis: rendibilidade obtida a 1, 3 e 5 anos, e o rácio de Sharpe a 1 e 3 anos – um indicador que tem em conta o binómio risco/rendibilidade.

A maior estrela do mercado negoceia imóveis
De acordo com a Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), o fundo português mais rentável em 2010 foi o BPI África, com ganhos de 29,49%. Porém, o fundo nacional detentor do galardão de melhor do mercado é o Finipredial, dado o seu passado recente de sucesso. Gerido pela Finivalor desde 1997 e comercializado nos balcões do Finibanco, este fundo de investimento imobiliário remunerou os seus participantes com ganhos médios anuais de 3,86% no último quinquénio e detém o rácio de Sharpe mais elevado do mercado a 1 e a 3 anos, conferindo-lhe assim a pontuação mais elevada do ‘ranking’ “Diário Económico/Bloomberg”. Isto significa que o Finipredial, actualmente com mais de 310 milhões de euros sob gestão, não só obteve nos últimos anos uma rendibilidade acima da média do mercado como também foi o fundo que mais justificou o risco do investimento. “O Finipredial tem sido gerido com algum conservadorismo e com muito cuidado com as compras. Não embarcamos em loucuras”, refere Jorge Pereira, presidente da Finivalor. O responsável máximo pela gestão do fundo refere alguns segredos do Finipredial: “negociamos imóveis com ‘yield’ médias brutas de 8%” e “não especulamos com o valor dos imóveis que compramos.”

Líderes nos diversos segmentos
Entre os fundos com melhor resultado no ‘ranking’ “Diário Económico/Bloomberg” marcam destaque os fundos de acções internacionais que apostam nos mercados emergentes. É o caso do Caixagest Acções Oriente, Espírito Santo Mercados Emergentes e Millennium Mercados Emergentes, que nos últimos cinco anos obtiveram rendibilidades médias anuais sempre acima dos 5%. Estes são os verdadeiros campeões de maratonas.

No campeonato das casas de investimento, denota-se uma capacidade particular da F&C Management, entidade responsável por gerir os fundos do Millennium bcp, para negociar obrigações de taxa flexível, ao colocar no “top 5” desta classe de activos três dos seus fundos: Millennium Premium, Millennium Obrigações e Millennium Obrigações Mundiais.

No segmento dos planos poupança-reforma (PPR) sob a forma de fundos de investimento e dos fundos de Tesouraria os resultados revelam uma grande concorrência. No entanto, nos produtos de reforma, o Espírito Santo PPR e o Alves Ribeiro PPR repartem os primeiros lugares enquanto nos produtos de curto prazo, o prémio de melhor fundo de Tesouraria cabe ao Banif Euro Tesouraria que, nos últimos cinco anos, ofereceu ganhos líquidos de 1,79% aos investidores.
Como construímos o ‘ranking’
O ‘ranking’ dos fundos foi realizado com base nos 654 fundos portugueses registados na CMVM e teve em conta cinco variáveis com o mesmo peso: desempenho dos fundos nos últimos 12 meses, 3 e 5 anos, o rácio de Sharpe a 1 e a 3 anos. O rácio de Sharpe foi tido em conta porque permite quantificar quanto é que a rendibilidade obtida pelo fundo justificou o risco do investimento seguido pela equipa de gestão. O método de cálculo utilizado que deu origem à “Pontuação DE/Bloomberg” foi alcançado recorrendo ao terminal profissional da Bloomberg que, com base nas variáveis e critérios escolhidos, avalia os activos financeiros numa escala entre 0 e 100, sendo 100 o melhor resultado.


Obrigações de Taxa Flexível

Os três melhores fundos de obrigações de taxa flexível têm em comum o facto de serem das poucas excepções desta categoria a apresentarem rendibilidades positivas nos últimos 12 meses e serem geridos pela mesma entidade gestora, a F&C Management. O Millennium Premium, Millennium Obrigações e o Millennium Obrigações Mundiais têm conseguido cumprir com o objectivo estipulado de proporcionar um retorno no curto e médio prazo incorporando um prémio relativamente às taxas de juro do mercado monetário.

Obrigações de Taxa Fixa
A crise da dívida soberana europeia esteve sob as luzes da ribalta no último ano, colocando as equipas de gestão dos fundos de taxa fixa sobre elevada pressão. A destreza dos especialistas em não deixarem os seus portefólios sofrerem perdas pecaminosas está à vista: o melhor fundo desta classe, o Espírito Santo Obrigações Europa, gerido por Vasco Teles, conseguiu não só ter o melhor desempenho a três e a cinco anos entre os seus pares como figura entre os dois fundos de taxa fixa com o rácio de Sharpe mais elevado a um e a três anos.

Acções Nacionais
O último quinquénio não foi positivo para os fundos de acções nacionais, com nenhum dos fundos a conseguir bater o desempenho do PSI 20 a um, três e cinco anos. A “pontuação Económico/Bloomberg” destes produtos revela isso mesmo, com o resultado a ficar abaixo da média de 56% dos fundos nacionais. Nesse sentido, o destaque desta classe deve ser feito pelo lado negativo, com o Caixagest Acções Portugal a merecer a nota mais vermelha por ser aquele com a pior rendibilidade a três e cinco anos e a deter o pior rácio de Sharpe a três anos.

Acções Europeias
Nos últimos cinco anos as acções das 600 maiores empresas europeias valorizaram, em média, apenas 1,26% por ano. Mas os dois melhores fundos de acções europeias registados em Portugal deram a ganhar aos seus subscritores mais do dobro desse valor. Os campeões dos fundos de acções europeias são o Santander Euro-Futuro Defensivo e o Santander Euro-Futuro Cíclico, ambos galardoados com “cinco estrelas” Morningstar. Contudo, para investir nestes produtos os investidores necessitam de, pelo menos, 40 mil euros.

Acções Internacionais
Os mercados emergentes, ao longo da última década, têm vindo a aumentar o seu peso na economia mundial e hoje contribuem com quase 50% da riqueza gerada no planeta. No mesmo sentido têm seguido os fundos de acções de mercados emergentes, sobretudo aqueles com uma forte exposição ao continente asiático, como é o caso do Caixagest Acções Oriente. O fundo mais rentável disponível aos clientes da Caixa Geral de Depósitos arrasou toda a concorrência com rendibilidades anuais médias superiores a 10% desde 2006.

Tesouraria
Os fundos de tesouraria são os que apresentam o maior grau de concorrência, com o primeiro e o quinto classificado a ficarem a apenas 0,87 pontos na escala do ‘ranking’ “Económico/Bloomberg”. O prémio de melhor fundo desta categoria cabe ao Banif Euro Tesouraria que, nos últimos cinco anos, teve o melhor desempenho da sua classe e apresenta o melhor rácio de Sharpe a três anos. Entre as suas principais apostas figuram obrigações empresariais e soberanas de taxa fixa e indexada com maturidade residual inferior a 60 meses.

Planos Poupança-Reforma
Os planos poupança-reforma (PPR) estão longe de serem os instrumentos financeiros mais rentáveis. As limitações quanto à exposição máxima a acções limita a gestão destes produtos e, por arrasto, a sua rendibilidade potencial. Esta realidade fica bem espelhada pelo desempenho médio anual de 1,45% dos cinco melhores PPR do mercado nos últimos cinco anos. No topo deste grupo está o Espírito Santo PPR, gerido por José Valente, que apesar de ter gerado ganhos parcos, ganha pontos com a sua política de investimento conservadora.

Imobiliário
Os fundos de investimento imobiliário são, por larga distância, os fundos portugueses que apresentam os melhores resultados numa relação directa entre rendibilidades passadas e risco do investimento. E no topo desta classe de activos está o Finipredial, gerido pela Finivalor desde 1997, sempre com base numa estratégia conservadora e que esteve na base de um conjunto de resultados positivos estáveis desde 2003, que se traduz em ganhos médios anuais sempre entre os 3% e 5%. Actualmente o Finipredial tem mais de 310 milhões de euros sob gestão.

Fonte: Económico/Bloomberg

Anúncios

Cibereconomia no Facebook

—-“Get out of the box”—-

Creating a Culture of Innovation

Para líderes em Inovação, empreendedores e investidores. Porque… Sucesso é ser Feliz.

Cibereconomia, Economia Digital, Mercados Financeiros, New Social Network.

Siga-nos no Facebook!

Espelho de nós

Espelho de nós


“Todos têm aquilo que querem do mercado”
Ed Sekyota

Se tivesse que escolher a frase que mais me cativou ao longo dos vários anos que dedico aos mercados financeiros, esta seria sem dúvida a eleita. Franzi o sobrolho quando a li pela primeira vez, olhando para esta afirmação mais como uma tentativa de dizer algo surpreendente do que verdadeiro. No entanto, quanto mais conheço os mercados e a mente humana, mais concordo com esta frase e a considero genial na forma de caracterizar o papel de cada investidor perante o mercado. ( JN)

A vida e a Bolsa

O grande inimigo não é a crise “subprime”, o arrefecimento da economia norte-americana, a descida do imobiliário ou a falta de liquidez. O grande inimigo é essa hidra colectiva chamada pânico. E, como escreveu Alan Greenspan, o pânico no mercado é como o azoto líquido, pode em muito pouco tempo provocar um arrefecimento devastador.A temperatura gelou ontem mas só hoje às 14:30 saberemos se atingiu o grau zero das descidas. Porque há duas leituras para a “segunda-feira negra” de ontem, em que as bolsas europeias e asiáticas se despenharam em pleno feriado em Wall Street: os optimistas dizem que o mercado capitulou, bateu no fundo, está cheio de oportunidades; os pessimistas receiam uma tormenta longa, reagirão com hipersensibilidade aos resultados que hoje o Bank of America e a Apple apresentarão.

Na verdade, toda a gente tem mais ou menos a mesma informação. Esta crise é em tudo diferente do “crash” de 2001, em que as empresas da Nova Economia valiam el dorados infinitos. Agora, há empresas ao preço da chuva. Na bolsa portuguesa, satélite sem vontade própria das grandes praças, um terço das empresas cotadas custa menos de um décimo dos seus lucros! Noutra conjuntura, a isso chama-se saldos.

Na sexta-feira, Bush tirou 145 mil milhões de dólares da cartola para contrariar o arrefecimento da economia. Isso mesmo: vai entregar um cheque de 800 dólares de impostos a cada americano, para estimular o consumo e deixar que seja cada agregado familiar a decidir se gasta o dinheiro nos créditos ou na factura energética. Foi um bom tiro. Um bom tiro na água.

O homem mais importante do mundo é agora Ben Bernanke, o presidente do Fed. Os mercados pedem-lhe uma descida as taxas de juro radical, dos 5 para os 3 por cento em poucos meses. Assim, defendem, estimula-se o consumo e compensa-se o aumento das factura de juros pagos pelas famílias, pelas empresas e pelos bancos. Mas uma casta enorme de economistas desaconselha esta intervenção, que aumentará a inflação.

O Fed e a Casa Branca têm um passado de desavenças que só foi interrompido na era Clinton. A verdade é que o Fed sempre olhou para as bolsas como microclimas. A inflação, não a bolsa, é a prioridade Número 1 dos bancos centrais.

Se o Fed mantiver os juros, as bolsas continuarão em queda, o dólar sobe, a inflação fica controlada, os EUA enfrentarão uma possível recessão suave nos próximos dois ou três anos. Se o Fed cortar radicalmente os juros, como se prevê, as bolsas arribam, o dólar e a inflação sobem. O efeito de curto prazo é óptimo, mas o descontrolo da inflação representa sempre uma recessão longa, espiral de preços, desemprego.

Em Lisboa, Sócrates, Teixeira dos Santos ou Constâncio são espectadores impotentes. Só podem tentar injectar confiança, como ainda ontem fizeram, no dia em que anunciaram um défice que devíamos estar a festejar. Mas o ambiente é, ao contrário, de fim de festa, uma festa de crescimento europeu a que Portugal chegou atrasado porque estava a pagar impostos.

Comprar, manter ou vender? O investidor está rodeado de conselheiros optimistas e pessimistas mas é um decisor solitário. Todos os conselhos, avisos e estímulos passados valem hoje zero. Próximo passo: respire fundo, mantenha o controlo, pergunte se está a curto ou a longo prazo e olhe para o relógio. Às 14:30 há mais. ( JN) Pedro Guerreiro.

%d bloggers like this: