Preocupações em torno da economia alemã ditaram perdas na Europa

Preocupações em torno da economia alemã ditaram perdas na Europa e Lisboa não foi excepção. PSI 20 perde quase 1%.

Berlim voltou a marcar mais uma sessão nos mercados accionistas. Os responsáveis alemães revelaram que a economia motor do euro contraiu 0,25% no último trimestre de 2011, crescendo, no entanto, 3% na globalidade do ano, face à expansão de 3,7% no ano anterior. Mas não foi o único sinal negativo.

Também o Eurostat reviu em baixa o crescimento económico da região para 0,1% no terceiro trimestre deste ano, o que veio dar ênfase aos alertas de ontem da Fitch: o BCE precisa de ser mais activo na resolução da crise de dívida.
Foi neste cenário que o Ibex 35 de Madrid e CAC 40 de Paris cederam 0,7% e 0,2%, respectivamente. Pior esteve o principal índice português: o PSI 20 caiu 1,08% para 5.495,27 pontos.

Fitch corta perspectivas de crescimento da economia espanhola

A agência de notação financeira Fitch anunciou hoje que cortou as perspectivas de crescimento da economia espanhola para 2012 e 2013.

A agência de “rating” Fitch cortou as perspectivas de crescimento económico da Espanha para 2012 de 0,5% para 0% e para o próximo ano de 1,5% para 1%, de acordo com um comunicado enviado por email e citado pela Bloomberg.

A decisão da agência de notação financeira surge poucos dias depois do novo executivo, liderado por Mariano Rajoy, ter revelado que o défice de 2011 iria rondar os 8% e não os 6% previstos pelo anterior governo. As contas relativas ao ano passado ainda não estão fechadas, pelo que não é conhecido o valor exacto do défice de 2011, mas para este ano, Madrid comprometeu-se, perante Bruxelas, com um défice de 4,4% do PIB.

Goldman Sachs apreensivo

O Goldman Sachs também já se mostrou um pouco apreensivo quanto ao crescimento do PIB espanhol no próximo ano. O banco de investimento, citado pelo “El País“, defende que o ajustamento que o novo governo está a desenvolver “é sinal forte que confirma o compromisso da Espanha com o ajuste orçamental”. Todavia, as medidas podem afectar o crescimento [económico] espanhol, aponta o Goldman Sachs.

Esta é a primeira avaliação do banco às novas medidas de austeridade anunciadas pelo executivo de Mariano Rajoy, a 30 de Janeiro. Porém, o banco norte-americano sublinha que é fundamental combinar austeridade com crescimento. “Será fundamental ver como é que a Espanha vai combinar estas medidas com um caminho de médio longo prazo de ajustamento orçamental, com reformas estruturais e de crescimento”, apontou Andrew Benito, analista do Goldman Sachs citado pelo “El País”.

Bolsa nacional desanimada com discurso de Draghi

A praça portuguesa desvalorizou pelo terceiro dia consecutivo penalizada pelo desempenho negativo dos pesos pesados: Galp, Portugal Telecom e EDP

As praças europeias reagiram com perdas ao discurso do presidente do BCE, apesar do anúncio de nova descida da taxa de juro de referência para 1%. Lisboa foi uma das que mais caiu, com um PSI-20 a perder 2,57%.

Mario Draghi desapontou os investidores que olhavam para o BCE como um dos principais meios para a resolução da crise da dívida europeia. O presidente deixou bem claro que a autoridade monetária não vai acelerar a compra de obrigações dos Estados, cingindo-se ao mandato previsto nos tratados europeus. Os juros de Itália e Espanha dispararam.

Compromisso franco-alemão é “a resposta” às interrogações da Standard and Poor’s

O compromisso franco-alemão anunciado por Nicolas Sarkozy e Angela Merkel é “a resposta” às interrogações da Standard and Poor’s, que ameaçou baixar as notações dos seis países da zona euro com “AAA”, declarou hoje o chefe da diplomacia francesa.

“O acordo europeu é a resposta a uma das interrogações mais importante desta agência de rating (SP), que falava de insuficiência da governação económica europeia. Vamos melhorar consideravelmente com a disciplina orçamental”, afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Alain Juppé, à rádio RTL.

A Standard and Poor’s ameaçou baixar a notação de solvabilidade da França em dois “graus” para “AA”. Para os outros cinco países da zona euro com notação “AAA”, a agência de rating prevê, no pior dos cenários, uma descida de um grau para “AA+”.

O UBS baixou o “target” do banco BES

O UBS baixou o “target”  do banco BES de 5,30 euros, para 1,90 euros.

Ignacio Sanz realça que a instituição deverá cumprir o rácio de depósitos face ao crédito de 120% em 2014, destacando que a entidade melhorou em quatro mil milhões de euros este ano esta discrepância, devido ao saudável crescimento dos depósitos, “enquanto as necessidades de refinanciamento estão bem espalhadas pelos próximos quatro anos”.

De acordo com a mesma nota, o BES deverá ter um core tier 1 de 9,3% em 2011 e 10% em 2012, cumprindo as metas da troika.

Apesar de considerar que a instituição está preparada para cumprir os requisitos de capital, o banco de investimento desceu o “target” para os títulos do banco para 1,90 euros, face aos anteriores 5,3 euros

PSI-20 cai pela sexta sessão

A bolsa nacional fechou novamente no vermelho, com 17 cotadas em queda. Lisboa seguiu o comportamento geral da Europa, que negociou penalizada pelas elevadas “yields” pedidas na dívida dos países do euro. Banca caiu mas BCP contrariou e subiu 4%.

O PSI-20 cedeu 0,78% para 5.505,89 pontos, encerrando apenas com três cotadas a ganhar terreno. O índice caiu hoje durante a sessão para um mínimo desde Abril de 2003.

Na Europa, o comportamento foi igualmente negativo, com desvalorizações em torno de 1%, num dia em que as preocupações com a dívida dominaram os mercados.

 

Juros a 2 anos da dívida grega superam os 110%

As “yields” pedidas pelos investidores para terem em carteira obrigações do país estão em forte alta.

Pela primeira vez desde a entrada no euro, as obrigações públicas gregas a 2 anos têm a “yield” neste patamar.

Em contrapartida, na maturidade a 10 anos, os juros da dívida soberana grega descem 36 pontos base, a fixarem-se nos 28,08%.

Recorde-se que o Banco Central Europeu (BCE) regressou a 5 de Agosto ao mercado secundário para comprar dívida soberana, depois de 18 semanas consecutivas sem intervir. Foi também a primeira vez que comprou dívida soberana de Itália e Espanha.

Banca debaixo de fogo

As acções da banca estão a negociar pressionadas pela expectativa de virem a ter de aumentar capital, depois de ter sido decidido que iriam ter de aplicar um desconto às obrigações que pretendem deter até à maturidade equivalente a 50% do seu valor nominal.
Isto poderá levar alguns bancos a procederem a aumentos de capital para satisfazerem a exigência de 9% em 2011 e de 10% em 2012, mesmo depois de terem aumentado capital e reduzido a dimensão das carteiras de crédito no último ano.

Em reacção às decisões tomadas pelos líderes europeus, Fernando Ulrich lembrou que o rácio de capital do BPI, de 9%, já incorpora uma redução do valor da dívida grega de 21%.

O líder do BCP, Carlos Santos Ferreira, disse que pretende “considerar todas as opções possíveis” para se reforçar capitais, enquanto Ricardo Salgado, disse ir o seu banco vai procurar “não recorrer ao Estado” para se aumentar o capital.

As acções do BCP recuam 3,75% para negociar nos 0,154 euros por acção e chegaram mesmo a perder 4,37% para os 0,153 euros. Um valor que compara com anterior mínimo de 0,156 euros em que negociara, pela última vez, no passado dia 26 de Outubro.

Já o Banco BPI perde 4,72% para 0,525 euros por acção e já chegou a fixar um preço mínimo recorde ao desvalorizar 5,81% para negociar nos 0,519 euros por acção. O anterior mínimo também foi fixado no dia 26 de Outubro e era de 0,53 euros.

Prosperidade e crescimento

O sistema que preside à organização económica e ao modo de viver das sociedades actuais, o qual modelou a presente “globalização”, assenta num pressuposto indispensável: o crescimento contínuo da economia. 
O sistema que preside à organização económica e ao modo de viver das sociedades actuais, o qual modelou a presente “globalização”, assenta num pressuposto indispensável: o crescimento contínuo da economia. Por tal modo que, até agora, a única via de saída da crise actual, apresentada por economistas, políticos e responsáveis de todas as instâncias, é a famigerada “retoma”. Entenda-se por isso a “retoma do crescimento económico”. Nos últimos 60 anos, o mundo assistiu a um crescimento exponencial da economia, em grande parte impulsionado pela disponibilidade de uma energia abundante e barata: os combustíveis fósseis. Nesse período, cresceu cinco vezes o PIB global, aumentou três vezes a população, subiram generalizadamente os níveis de conforto, saúde, mobilidade e bem-estar. Porém, e paradoxalmente, esse crescimento beneficiou mais uns países do que outros. De tal forma que, nas últimas décadas, as diferenças entre ricos e pobres se acentuaram, em lugar de diminuírem.

Desejável seria que esta tendência de crescimento pudesse continuar no futuro, por forma a assegurar o pleno emprego, a estimular a inovação, a incentivar o investimento e a concorrência. Mas parece cada vez mais evidente que tal não irá acontecer. Pode até ser necessário, se não mesmo vantajoso, que tal não aconteça. Muitos dos problemas actuais, como o aquecimento global, o esgotamento dos recursos energéticos, o desequilíbrio ambiental, e até as diferenças entre ricos e pobres, só poderão agravar-se com o crescimento.

Sendo previsível que a população mundial continuará a crescer, é lícito perguntar como vai compatibilizar-se esse crescimento populacional com a estagnação da economia, com o “pico” da produção energética, ou mesmo com a regressão dessa produção? Que respostas haverá para cerca de 1/3 da população mundial, (que na China, ou na Índia, ou no Paquistão, aspira a atingir os níveis de conforto dos países mais desenvolvidos), caso não lhe seja possível aceder a eles?

A nossa civilização enfrenta um desafio, importante e decisivo, porque global: para não agravar os desequilíbrios do planeta, (o aquecimento global, a poluição ambiental, a gestão dos recursos cada vez mais escassos), estamos condenados a viver sem crescimento. Os próprios economistas, enquanto anunciam a retoma ali ao virar da esquina, começam a dar-se conta da cruel realidade, e já falam de “economia estável”. Embora pareça que ainda não encontraram a fórmula de a pôr em prática, nem ainda entenderam as leis que a governam.

O ser humano, como qualquer outro ser da criação, aspira à prosperidade, anseia por crescer e reproduzir-se, é o flourishing da vida. E na sociedade actual, o conceito de “prosperidade” está predominantemente ligado à posse de bens materiais. Para o cidadão comum é isso que traz felicidade. Está a chegar o momento de colocar a questão doutra maneira: é possível prosperar, sem acumulação de riqueza? Não só é necessário acreditar que sim, como também vai ser preciso pô-lo em prática.

Para sobreviver, a nossa civilização tem de encontrar formas de prosperar sem crescimento: uma prosperidade não centrada em conteúdos predominantemente materiais, em que se valorize mais o “ser” do que “ter”, num mundo com novos valores e uma nova espiritualidade.

Nem será um caminho fácil, nem pode ser deixado ao arbítrio de cada um. E exigirá dos governantes muita sabedoria, se o quisermos percorrer em democracia. Porque abrir esse caminho será um exercício no fio da navalha: entre a ameaça do colapso, e a violenta regressão a regimes e tempos de totalitarismo.

A sociedade de consumo, baseada no materialismo, tem que ceder lugar a uma sociedade mais altruísta, baseada na solidariedade humana. No fundo implica uma nova moral, dir-se-ia até uma nova religião. À semelhança do papel que teve o Cristianismo, no colapso inevitável do Império Romano, defendendo a igualdade, a irmandade, o fim da escravatura e da exploração humana.

As “marcas” do moderno mercado vão ter que devolver aos deuses e aos heróis do passado as simbologias, os valores arquetípicos e a força mitológica de que oportunamente se apropriaram. Como dizia Alan S. Drake, “no futuro, o consumidor tem de voltar a ceder lugar ao cidadão; juntamente com a responsabilidade e os deveres que o conceito implica.”

A mudança nas formas de comunicar, trazida pela Internet, poderá conter em si uma esperança nova. No campo da comunicação, é esta a terceira grande revolução da Humanidade, depois das descobertas da escrita e da imprensa. E se a “escrita” produziu a Bíblia e o Corão, e a “imprensa” nos trouxe Martinho Lutero e os ideais da Reforma, quem sabe se na Internet não andará a semente de uma nova religião. De uma nova forma de viver, na qual seja possível encontrar uma nova forma de prosperidade.

Índice de Novas Encomendas na Indústria desacelera – Agosto de 2011

Em Agosto de 2011, as novas encomendas na indústria aumentaram 15,5% em termos homólogos (18,7% em Julho). Os índices de ambos os mercados desaceleraram em Agosto, tendo o índice relativo ao mercado externo registado um crescimento de 17,0% (20,7% no mês anterior), enquanto o do mercado nacional aumentou 13,8% (16,3% no mês precedente).

Fonte: INE

 

Moody’s: Dados orçamentais podem ter um impacto negativo na avaliação da agência

O INE revelou que o défice orçamental no primeiro semestre do ano atingiu os 8,3% do Produto Interno Bruto (PIB), superior aos 7,7% do primeiro trimestre do ano.

Num relatório semanal, citado pela Bloomberg, a Moody’s diz que a principal razão para a deterioração das contas nacionais foi a revelação de um novo desvio na Madeira. “A revelação faz lembrar quando, nos últimos anos, o governo grego admitiu que a dívida e o défice excederam o que foi inicialmente divulgado pelo Eurostat e aumenta os receios de que Portugal possa repetir o comportamento”, diz a agência de notação financeira, acrescentando que estes dados orçamentais podem ter um impacto negativo na avaliação da agência.

 

BCP, BPI e BES caem 1% após ‘downgrade’ da Moody’s

Os bancos destacam-se pela negativa no PSI 20 na primeira reacção ao corte de ‘rating’ anunciado esta manhã pela agência Moody’s.

O BCP descia 1,68%, o BES recuava 1,8%, enquanto que o BPI cedia 0,46% depois de já ter estado a perder 1,7%. Isto numa altura em que o PSI 20 seguia ‘flat’ nos 5860,91 pontos, ao mesmo tempo que os principais índices accionistas europeus escorregavam cerca de 0,3%. O euro seguia pouco alterado nos 1,34,35 dólares, o barril de ‘brent’ cotava acima dos 105 dólares e a onça de ouro avançava até aos 1.660,15 dólares.

A nível nacional, a sessão desta sexta-feira está a ser marcada pela decisão da Moody’s de baixar a notação da dívida da Caixa, BCP, BPI, BES, Santander e Montepio. A agência cita quatro motivos: a revisão em baixa do ‘rating’ da República, a exposição dos bancos à dívida pública portuguesa, a expectativa de deterioração da qualidade dos activos e, por último, os constrangimentos em termos de acesso a liquidez. A decisão despoletou alguma pressão vendedora sobre a banca nacional cotada, que era contrariada pelas subidas da EDP, Jerónimo Martins e Portugal Telecom.

Acções da Ásia voltam a cair

As principais praças asiáticas estão em forte baixa com os dados económicos divulgados na sexta-feira a provocarem receios de um maior abrandamento económico mundial.

O MSCI Ásia e Pacífico desvaloriza 3,5% para 109,22 pontos, com cerca de 14 títulos a descer por cada um que valoriza. Todos os grupos industriais representados no índice bolsista de referência para a região estão a negociar em terreno negativo.

No terceiro trimestre a desvalorização foi de 16%, tendo sido a maior queda trimestral desde 2008. A pressionar esteve a crise orçamental da Zona Euro e o abrandamento do crescimento da economia dos EUA.

Lucros do BCP caem 45,8% no primeiro semestre

O banco liderado por Carlos Santos Ferreira reportou um resultado líquido de 88,4 milhões de euros.

O resultado líquido do BCP ascendeu a 88,4 milhões de euros nos primeiros seis meses de 2011, uma queda de 45,8% face ao período homólogo do ano passado, anunciou o banco em comunicado à CMVM.